Assim como não costumam ter horário para cumprir no trabalho, os expoentes da street art também não seguem uma tendência quando o assunto é música. Há quem goste de se inspirar através dos fones de ouvido enquanto fazem arte urbana e tem os que preferem não dispersar. Uns gostam de música brasileira e outros estão mais para a internacional. A The Mark conversou com três artistas de rua para entender melhor a trilha sonora de suas vidas.
Formado em desenho industrial e com mais de 15 exposições no currículo, Luís Otávio Madruga mede o peso do som de acordo com o clima do local onde monta suas “interferências visuais”. Já Artur Kjá, curador do Angra Urban Festival, evento que levará sete horas de entretenimento e atividades gratuitas à Praia da Chácara, em Angra dos Reis, no sábado 11 de fevereiro, prefere ouvir seu hardcore fora do horário de trabalho. Experiente quando o assunto é exposição de sua arte, Vagner Donasc gosta de sons mais “viajantes”. Leia a entrevista da The Mark com os três artistas.
Que tipo de arte você faz?
Luís Otávio Madruga: Interferências visuais pelas ruas do Rio de Janeiro.
Artur Kjá: Caótica, visceral e experimental. Por isso não tenho um rótulo. Faço grafite, stencil etc. Trabalho com o que eu tiver na mão e na cabeça. Vai de canetão à coquetel molotov. Depende exclusivamente do que eu quero expressar.
Vagner Donasc: Minha arte é baseada no comportamento humano e seu habitar caótico. A partir desse ponto de partida, posso caminhar desde de um simples desenho até uma instalação complexa.
O que você escuta normalmente?
Luís Otávio Madruga: Música Brasileira, funk e rap.
Artur Kjá: Hardcore! Agnostic Front, Suicidal Tendencies, Bad Brains, Garage Fuzz, Ack… Só o “crème de la crème” da boa música!
Vagner Donasc: Escuto muita coisa diferente. Não tem um gênero que eu siga ou escute mais. No momento tenho ouvido muito Fela Kuti, Tommy Guerreiro, Sepalcure, DJ Mehdi, Metronomy, Siriusmo, Justice, Flying Lotus, Sola Rosa e os camaradas Xará, Pai Lua e Shawlin.
Você escuta algo quando está fazendo arte na rua?
Luís Otávio Madruga: Isso varia bastante de acordo com o lugar em que estou. Em um local muito caótico, acabo ouvindo um som mais pesado e, em um mais tranquilo, um som mais calmo. Muitas vezes, a própria trilha sonora do local é que dita o ritmo. Normalmente, escuto mais rap, como Sabotage, Criolo, Planet Hemp e Nação Zumbi.
Artur Kjá: Não. Na rua, gosto de ficar ligado na reação das pessoas, na interação com a mensagem que estou propondo e até mesmo nas críticas.
Vagner Donasc: Gosto dos sons mais viajantes, tipo Flying Lotus e Spalcure. Curto também instrumentais tipo Hypnotic Brass Enseble, Ray Barbee, J.Dilla e os Set do Tamenpi, que faz download no Só Pedrada Músical.
Se fosse fazer um filme sobre street art, qual trilha sonora usaria?
Luís Otávio Madruga: Não sei ao certo quais músicas, mas com certeza entraria Beastie Boys, Public Enemy, Bassnectar, Chico Science, Bnegão e alguma coisa de Miami Bass também.
Artur Kjá: Jazz. Assim conseguiria passar todo o espírito experimental que a arte urbana tem. Apesar de ser hardcore, tenho uma forte ligação com a intensidade do jazz. E por ser um som, digamos, mais abrangente, acabaria atingindo um público maior, difundindo ainda mais o pensamento do mundo como expressão da sua vontade.
Vagner Donasc: Bom, isso ia depender do artista que estivesse em foco, da arte que estivesse rolando. A música faz parte da composição para um melhor entendimento.
E se fosse um filme só sobre sua arte?
Luís Otávio Madruga: Funk e Música Popular Carioca.
Artur Kjá: Aí não teria como fugir do hardcore, do skate punk… Sou urbano até os ossos! Puro suco de asfalto! Seria HC + barulho de rodinhas + buzinas caos etc… um som bem nervoso! Algo que meu amigo, o artista “ecosonopunk” Flavio Lazarino, teria que criar!
Vagner Donasc: Bass Culture, Fela Kuti, Kraftwerk, Funk Carioca e Sonic Youth.
Faça um TOP 5 de suas músicas preferidas.
Luís Otávio Madruga: “Meu Maracatu Pesa uma Tonelada” (Chico Science e Nação Zumbi); “Computadores Fazem Arte” (Chico Science e Nação Zumbi); “Blunt of Judah” (Nação Zumbi); “Boom! Boom!” (John Lee Hoker); “Imunização Racional” (Tim Maia).
Artur Kjá: “Victim in Pain” (Agnostic Front); “Attittude” (Bad Brains); “Asas da Vingança” (Ratos de Porão); “Possessed to Skate” (Suicidal Tendencies); “I Wanna Riot” (Rancid).
Vagner Donasc: Tudo é muito momentâneo amanhã posso mudar completamente.”Water no Get Enemy” (Fela Kuti); “MmmHmm” (Flying Lotus); “Civilization” (Justice); “The Color of Life” (Tommy Guerreiro) e “Will Do” (TV on The Radio).
Sobre o Angra Urban Festival
Dia e hora: Sábado, 11/02/2012, às 16h
Local: Praia da Chácara, Angra dos Reis
Entrada Gratuita e classificação livre
Programação:
16h – Abertura do Festival
16h30 - DJ Marcos Bocayuva
18h - Jam Session Futebol Freestyle
19h - 1ª Fase Batalha do Conhecimento com Mc Marechal
19h30 - Dj Machintal
20h30 - Jam Session Basquete de Rua / B-boys (LIIBRA/CUFA)
21h30 - 2ª Fase da Batalha do conhecimento com Mc Marechal
21h50 - Jam Session Skate (Skatistas profissionais e amadores)
22h40 - Final da Batalha do Conhecimento + Mc Marechal
23h - Encerramento do Festival
Um comentário para “A trilha sonora dos artistas urbanos”
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O Kjá só esqueceu de citar no “TOP 5 de suas músicas preferidas” alguma música do Classe Z!!!!!