Novo disco de Mallu Magalhães teve produção e influência de seu namorado, Marcelo Camelo
Quando Marcelo Camelo e Mallu Magalhães assumiram o namoro, em 2008, muita gente não levou fé no casal. A diferença de idade entre os dois foi o principal motivo para o preconceito: ele, que tem 33, é 14 anos mais velho que ela, hoje com 19 anos. Poucos perceberam que apenas um sentimento, aquele chamado amor, era o que poderia fazer com que essa relação superasse qualquer obstáculo e durasse tanto tempo. Já faz três anos que Mallu e Camelo estão juntos e, atualmente, eles não só dividem o mesmo teto, em São Paulo, como também parcerias em projetos como Pitanga, terceiro álbum da cantora, lançado recentemente pela Sony Music. O fundador do Los Hermanos (banda que vai e volta desde 2007) produziu e tocou diversos instrumentos no disco e ainda tirou as fotos que são usadas pela cantora na divulgação. Em entrevista, Mallu fala sobre seu novo trabalho e confessa que sofre influência do namorado.
Para você, o que tem de especial neste novo CD?
Muita coisa faz deste álbum especial para mim. Pitanga é um retrato de uma fase da minha vida muito rica em transformações e decisões. Um grande amadurecimento marca este trabalho, em diversos pontos: a composição, as próprias letras, as temáticas, a coragem de assumir a sinceridade e a intimidade ao extremo, a musicalidade… Existe uma grande busca por uma estética autoral e única cujo caminho é sempre perguntar a mim mesma, em meu ponto mais abstrato, qual é a resposta para cada detalhe de sonoridade, do acorde e da nota. Enfim, sinto que me conheci, me fortaleci como artista me entregando inteira e intensamente à minha arte e, naturalmente, à minha personalidade e existência.
Houve alguma influência de Marcelo Camelo nesse novo trabalho?
Certamente há uma influência muito grande. Mesmo se não o tivesse conhecido, seu trabalho já me influenciaria simplesmente por eu gostar muito de seu som. Mas claro que a presença de Marcelo é muito maior neste caso, uma vez que, por nossa intimidade, nosso convívio, vamos naturalmente nos misturando. Isso reflete musicalmente, já que ambos fazemos música de caráter autoral e próprio. Além de tudo isso, a produção dele foi de dedicação impressionante. Sinto que ele conseguiu identificar, estimular e executar ideias minhas e a musicalidade que tenho dentro de mim e complementar, embelezar, preencher, dar vida e força às canções com sua musicalidade, talento e muito trabalho.
Fale sobre a produção do seu amado.
O disco foi produzido por Marcelo Camelo, co-produzido e mixado por Victor Rice, gravado no El Rocha, com Fernando Sanches, e masterizado por Felipe Tichauer. Antes de entrarmos em estúdio, eu já gravava algumas ideias em casa, alguns arranjos, linhas melódicas, instrumentos, batidas. Isso vinha naturalmente quando a composição começava a soar um tanto quanto pronta. Mas foram poucas as canções que chegaram assim, já encaminhadas, no estúdio, coisa de menos de meia dúzia. A grande maioria foi fruto de muita dedicação de Marcelo, que fazia os arranjos a dedo e, literalmente com as próprias mãos, tocando diversos instrumentos. Victor tocou grande parte dos baixos. Mas era tudo muito intuitivo, natural e divertido. Quem tinha uma ideia, ia lá, sentava no instrumento e gravava. Algumas vezes eram mais fáceis de executar, outras mais difíceis… Certos instrumentos são especialmente misteriosos.
Fale sobre o repertório e suas composições. Você deixou o amor falar alto?
O repertório foi Marcelo quem escolheu, e eu dei pitacos do tipo “ah, não, essa é minha favorita!”. Mas, se dependesse do meu coração de manteiga, gravaríamos as quarenta e tantas composições que escrevi entre a feitura do segundo álbum até a gravação deste.
O que você sonha hoje em dia, em relação à música?
Viver para ela, dela e com ela. Aprofundar-me em mim mesma gerando mais e mais música. Compor, tocar é, pra mim, essencial, é existir. É uma questão de sobrevivência. Sinto que fazendo música deste jeito, tão intensamente, com tanto amor, dedicação, com tanto de mim, é onde quero chegar como pessoa, é uma questão existencial, emocional e um tanto física.
Quais foram as maiores dificuldades que você já enfrentou? O preconceito contra sua relação com Marcelo te incomodou muito?
Foi difícil eu me descobrindo como artista, me recusando e me aceitando, me gostando e me odiando, escutando tanta crueldade, as piadas de mau gosto, críticas invasivas e destrutivas… Me sentia muito vulnerável, muito vítima, tendo que lidar com tanta coisa ao mesmo tempo. Tantos dilemas, medos, angústias, inseguranças. Mas tudo isso me fez quem sou hoje: uma mulher em paz, de modo que eu já não me importo mais com miudezas. Tenho questões lindas e gigantes a pensar e ocupar minha cabeça.
Um comentário para “Amor com gosto de Pitanga”
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o negócio, mallu, é comer pão com manteiga!!