No palco do Teatro Leblon, Carlos Lofller e Banda contam a história do roqueiro que experimentou de tudo
E C.Q. Lee sobreviveu. O ser andrógino que comanda o musical “Isto Aqui é Rock’n’Roll” fez tanta loucura que acabou encontrado desacordado em seu apartamento. Overdose. Mas, pedindo piedade para essa gente careta e covarde, ele volta para o grande show que apresenta todas as terças e quartas-feiras, até o fim de fevereiro, no Teatro Leblon. Na peça, Carlinhos Quase Lee tem esse nome porque se diz íntimo de Rita Lee, como era também de Cazuza, aquele compositor que pedia piedade nos palcos dos anos 80. Assim como grandes roqueiros da história, protagonizou de tudo um pouco. Ingeriu todos os entorpecentes que encontrou pelo caminho. Viveu na Inglaterra nos anos 70 e vendeu maconha para integrantes dos Rolling Stones. Inspirou a música “Inútil”, do Ultraje a Rigor, e “Medo de Amar”, de Adriana Calcanhotto. Hoje, divide-se entre fazer shows com sua banda e fazer amor com os integrantes de sua banda, sejam eles homens ou mulheres. “Sexo sem drogas não é rock and roll”, avisa C. Q. Lee.
Considerando que o Brasil já acompanhou as peripécias de figuras como Serguei, que aliás parece ser o muso inspirador de C. Q. Lee, não seria estranho acreditar na veracidade dos fatos narrados em “Isto Aqui é Rock’n’Roll”. Mas, para decepção (ou alívio) de quem se empolgou durante o show de C. Q Lee, a história escrita por Aloisio de Abreu é fictícia. O roteirista e diretor misturou referências diversas do mundo do rock e juntou tudo no liquidificador para compor o personagem de Carlos Loffler, que, no palco, segue contando a história do coadjuvante do rock entre uma música e outra. Como é dito no palco, Lee é uma espécie de Forrest Gump da música. E reza a lenda criada por Aloisio que, sim, ele passou por diversos lugares e deixou suas marcas em composições, corpos e sentidos de muitos astros.
O intérprete é um talento não descoberto, sem dúvida uma das melhores vozes do rock de todos os tempos. Muito magro, mas com energia de sobra – físico e trejeitos lembram muito os de Mick Jagger – Loffler canta de Raul Seixas a Ramones, passando por Engenheiros do Hawaii e The Mamas and The Papas. Afiadíssima com todo o repertório, a banda surpreende a cada solo de guitarra de Lula Washington e de Danilo Bareiro ou virada de bateria de Cassio Acioli. Muito talentoso, o baixista Rubey Catarcione vira alvo das piadinhas e olhares mal intencionados de Lee o tempo todo. O backing vocal de Kelly Ana é essencial para o som do grupo, mas ela é mais que isso. Kelly se destaca quando solta o vozeirão na interpretação de “Mercedez Benz”, sucesso de Janis Joplin, e da versão em português de “Dream a Little Dream of Me”, balada do The Mamas and The Papas. A direção musical é de Andrea Zeni.
Cômico, picante e instigante, C. Q. Lee ainda quer dar (com trocadilho) muito o que falar. Se depender da plateia, de onde andam saindo encorajados até os mais caretas, Carlos Loffler e Banda vão longe. Aumenta que isso é rock’n’roll!
Um comentário para “C.Q. Lee promove androginia no rock”
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