Markusic
Entrevista com Marjorie Estiano
por Júlia Almeida e Christina Fuscaldo
19.01.2012

Para a música, os anos 90 foram o início da mistura que hoje domina o cenário. O rock continuou tendo seu espaço, mas com ele dividiam as atenções o pagode, o axé e o movimento manguebeat, encabeçado pelo pernambucano Chico Science. Nesta mesma época, em Curitiba, surgia uma jovem apaixonada por todo tipo de arte que não tinha decidido ainda se queria ser cantora ou atriz, mas já estudava teatro e fazia aulas de canto. Mais tarde, já no século XXI, Marjorie Estiano acabou assumindo os dois papéis e conseguiu até protagonizar ambos quando estreou na telinha como Natasha, em Malhação, da Rede Globo. Marjorie tem em seu currículo dois álbuns (“Marjorie Estiano” e “Flores, Amores e Blábláblá”), um DVD (“Marjorie Estiano e Banda Ao Vivo”), participações em coletâneas e shows aos montes. Para nossa entrevista especial sobre anos 90, a The Mark elegeu a cantriz Marjorie Estiano para falar sobre a década em que foi adolescente e outros momentos de sua vida e carreira.

Quais eram seus cantores preferidos nos anos 90?

Preciso de ajuda porque não lembro direito. (Risos)

Você seguia alguma tendência?

Às vezes a gente ficava meio preso. Atualmente a gente vive nessa mistura em que podemos ir para qualquer década. Nos anos 90, você tinha as roupas dos anos 90. Acho que usei saia baloné. É, usei muita baloné.

Você fez alguma loucura, tipo pintar o cabelo com cores diferentes?

Eu passei a ser mais ousada depois de velha, depois que passaram os anos 90. Nessa época, eu cortava, mas nada que fosse significativo.

Qual é sua maior lembrança da época?

Acho que foi quando comecei a estudar teatro, em Curitiba. Foi um momento importante e especial porque eu só tinha na cabeça que eu ia estudar teatro e queria ser cantora e atriz. Nunca tive contato direto com isso. Podia não me identificar com aquilo. Eu não brincava de teatro em casa… nunca tive o contato. Às vezes a gente idealiza e vê que não é aquilo. Não sei da onde surgiu essa minha vontade.

E você escrevia música?

Eu brincava de compor quando era criança, depois eu parei. Uns quatro anos atrás, brinquei de novo, quando coloquei uma música no segundo CD. Mas não tenho brincado com afinco. Acho interessantíssimo, mas acho muito difícil. Os compositores são gênios porque música não tem matemática.

Você já disse que suas músicas não são confissões. Qual é sua inspiração?

Não me considero compositora, porque pra mim ser compositor é um oficio e acho que não estou nesse lugar. Como intérprete, não procuro falar de como estou agora ou o que penso nesse momento. Mas também não nego isso. Um repertório pode mesclar isso, ter várias histórias.

Como a música entrou na sua vida?

A música sempre esteve muito presente na minha vida. Sempre ouvi muita música em casa. Sempre tinha churrasco com música na vitrola, o dia inteiro. Mas não tenho nenhum musicista na família, então, não sei de onde veio. Eu sempre tive na cabeça que ia ser atriz ou cantora, não sabia bem qual das duas. Eu passava o dia inteiro sozinha, porque meus pais trabalhavam muito. Minha irmã estudava e passava o dia todo treinando ginástica olímpica. Depois de terminar a lição da escola, passava o resto do dia cantando. Comecei a estudar com 14 ou 15 anos.

Você teve um professor de canto que tenha sido importante pra você?

Tive alguns professores. Não tem um que tenha sido fundamental para o meu aprendizado. Fui descobrindo algo muito pessoal. Aprendi técnicas, como me adaptar a elas, mas o método é seu. Há diversos cantores que acho incríveis que não são vozes sensacionais. E tem cantores que têm técnica incrível, extensão maravilhosa e que não me emocionam. Acho isso um pouco relativo.

Quem te emociona?

Tem muitos. Maria Bethânia me emociona muito. Acho ela muito intensa e acho que ela atua no palco.

Qual foi o primeiro show a que você assistiu?

O primeiro show, eu já era velha. Acho que foi Marisa Monte com Caetano Veloso. Tentei assistir a Menudos, mas eu era muito criança. Minha irmã foi.

Você tem uma música preferida?

Posso falar de uma banda. Acho que os Beatles é a banda que prefiro. É uma banda absolutamente atemporal. Não teve uma outra que superasse a consistência que eles tinham. A maneira simples de fazer e, ao mesmo tempo, tão bonita e tão bem dita.

Mesmo quando atua, a música está presente?

A música é fundamental no processo de composição e inspiração. Acho que é um link das artes todas. A dança, a pintura, a interpretação… A música é o contato direto com o ser humano. Não existe interpretação sem ela. É você em contato direto com a emoção que aquilo promove. Para mim, a música é a forma de arte mais intensa e verdadeira. Direta mesmo. Não tem erro.

 

O silêncio te incomoda?

Não, acho fundamental. Pra mim é. Tenho muita necessidade de estar em silêncio em alguns momentos. Até parte da meditação isso. Porque às vezes eu permaneço em silêncio sonoramente, mas a cabeça continua falando. Ter um momento de absoluto silêncio é fundamental.
Crédito Fotos:
Produção: Júlia Almeida e Luiza Machado
Estilo: Sebastian Bailey
Fotógrafo: André Nicolau
Agradecimento especial: Hotel Fasano





4 Comentários para “Entrevista com Marjorie Estiano”

  1. [...] “Nos anos 90, tinha as roupas dos anos 90. Acho que usei saia baloné. É, usei muita baloné…. [...]

  2. Benjamim Jr disse:

    fotos lindas,adorei a entrevista.

  3. Elton Moraes disse:

    Incrível!
    Realmente a cada dia que passo, me torno ainda mais fã e um admirador absoluto, desse ser humano tão iluminado e talentoso chamado Marjorie Estiano!
    Desejo á ela muito sucesso e espero um dia poder conhecê-la pessoalmente e dizer olhando em seus olhos o quanto eu a admiro!

  4. eram bonitas e eu gostei muito eu usaria na décadas de hoje são estilosas e que chama a atenção beijos nara e pamy.
    Nós gotamos muito.





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